mercredi, juillet 13, 2011


TEMPOS

falando de tempos, vai um extrato do Peter que fala bem disso e dos não apaziguamentos...



“Num dos mundos sonhados por Einstein há dois tempos: o mecânico, metálico e rígido como um pêndulo, e o corpóreo, que ondula como um peixe. O primeiro é inflexível, o segundo se decide à maneira que se move. Para muita gente, o tempo mecânico não existe. Ignoram os relógios, comem quando têm fome, fazem amor a qualquer hora do dia, sabem que o tempo avança aos solavancos, que anda com dificuldade, que carrega um grande fardo, mas que voa quando estão felizes. O desespero advém quando os dois tempos coincidem, ao invés de seguirem cada um seu curso.


Num outro mundo causa e efeito são erráticas. Ora o primeiro precede o segundo, ora o inverso. Ou passado e presente se encavalam. O crime não necessariamente precede o castigo, este poderia ser preventivo, é indecidível. Os cientistas se desesperam, não há previsibilidade, tudo é irracional, ou eles o são. Os artistas, por sua vez, são felizes. Inebriam-se com os acasos imprevistos, inexplicáveis, retroativos. A maioria vive o instante, já que é difícil prever um ato presente no futuro. Cada ato é uma ilha no tempo, a ser julgado, por si mesmo. Os empregados respondem a cada insulto dos patrões, cada beijo é sem passado nem futuro.


Num outro mundo não há futuro, o tempo é uma linha que se interrompe no presente, tanto na realidade como no espírito. Aí ninguém pode imaginar o futuro, os sentidos são incapazes de conceber o que poderia existir além da extremidade visível do espectro solar. Cada separação entre amigos é uma morte, cada solidão é definitiva, cada riso é o último. As pessoas se penruam sobre o presente como se estivessem suspensas sobre uma falésia acima do abismo, e enxergam cada estado que vivem como sendo o último.


Num outro mundo, enquanto um homem toca violino e pensa na esposa, um outro homem toca violino e olha a rua, um terceiro toca e... Um número infinito de homens encontram-se num mesmo quarto tocando um número infinito de melodias. Essa hora em que tocam não é uma hora única, mas uma multidão de horas. Pois o tempo é semelhante à luz que se enviam dois espelhos. O tempo ecoa a si mesmo, engendrando um número infinito de imagens, de melodias, de pensamentos. Enquanto pensa, o primeiro homem sente a presença dos outros e de suas músicas. Qual delas é sua, seu futuro?


Num outro mundo um homem hesita se vai a Freiburg encontrar uma certa mulher, charmosa porém rude. Decide ficar em Berna, onde conhece outra mulher com quem faz amor muito lentamente, durante meses. Casam-se, envelhecem, são felizes. Num segundo mundo ele decide sim rever a mulher de Freiburg, com quem faz amor fogosamente, com quem se casa e briga amiúde. Ela sempre se queixa, atiram-se objetos, ameaçam abandonar-se, e novamente fazem amor atormentadamente. Num terceiro mundo ele resolve rever a mulher de Freiburg, tomam chá, convertsam, ele volta a Berna, sente um vazio. Mas tudo isso acontece ao mesmo tempo. Nesse mundo, o tempo tem três dimensões. Assim como um objeto ode mover-se em três direções perpendiculares, a horizontal, a vertical e a longitudinal, um objeto pode pertencer ao três futuros perpendiculares. Cada futuro se move numa direção diferente. A cada momento decisivo, o mundo se trifurca, e cada mundo contém as memsas pessoas, mas com destinos diferentes. O tempo contém uma infinidade de mundos.”

(o tempo não reconciliado - peter pál pelbart - editora perspectiva - 1998)

2 commentaires:

Vinicius a dit…

O tempo anda tão diferente...realmente, são mundos dentro do tempo. Mas o mundo parece estar cheio de pessoas mortas repetindo o óbvio: "estamos sem tempo". Os mortos é que estão sem tempo. Como disse um poeta, temos nosso próprio tempo.
Ah, felicidades no tempo de ser balzaquiana. Curta essa fase ao máximo. Curta no sentido de curtir e curta no sentido do tempo.

Anonyme a dit…

ja leu somhos de eistein clarinha?
um livrinho pequeno e incrivel!!!

discute o tempo..não tempo
ótimo pra devaneios!!

bjos
Ale