Todo natal é dia de domingo
Esse é o inverno mais inverno que ja conheci. E também o inverno mais branco desde o começo do mês... um classico natalino dos filmes vistos nos tropicos... estranho que mesmo nascendo e vivendo natal no verao, parece que é mais natal no frio... compramos sem reclamar ou simplesmente nos vendem essa imagem desde sempre... lembro de pessoas pegando arvores secas e colocando algodao pra lembrar a neve, quer dizer, nem era lembrar, mais evocar, neve elas nunca nem tinham visto e talvez nem nunca veriam, ainda assim... mais cedo, do alto na janela em Asse, aqui na Bélgica, vendo o sufoco dos carros nas ruas para poder atravessar com a neve solida e robusta que se formou por aqui, lembrei dessa imagem formada décadas atras... ja começo a contar em décadas e sinto que em breve começo uma quinta vida... esse é o sexto natal que passo longe de "casa", se é que isso ainda quer dizer alguma coisa... estou também longe da casa-averdon, do roman-gato e desses tantos mundos que vamos montando e desmanchando com o avançar dos dias...
Em Paris na segunda tivemos um tempo "Peter Pan, quem és ?" Vimos uma instalaçao de um amigo francês de origem grega, um videozinho caseiro, que a mae dele fez quando ele, a irma e mais dois irmaos cabeludoes eram crianças de cabelos longos e que acharam um tesouro de verdade, um saco de moedas antigas... o filminho é isso, uma imagem idilica ( tentando localizar, tocar o inconsciente no infantil em nos etc), um gato passa no meio das crianças, elas riem... ficamos um tempao so vendo isso, absorvidos por aquele tempo peter pan... nisso uma hora eu atravesso a sala, o joris se move e vemos aparecer umas coisas, quando nos colocavamos diante do projetor, aparecia mascaras, rostos feios, fantasmas por tras daquela imagem... que tentariam ilustrar os medos das crianças, o curioso é que o medo so aparecia quando projetavamos cada um, a propria sombra... Ficamos um tempao la e percebemos que varias pessoas saiam sem ver as sombras, so viam o filme, nao ousavam parar diante e iam embora sem ter a experiência completa (?) da coisa... Dia denso, que terminou com uma peça adaptaçao da Divina comédia de Dante com escritos de Kafka... a coisa do inferno, do purgatorio e do paraiso... foi um dia em que, apos dias de garganta sensivel, perdi a voz de vez... Em francês eles chamam ter uma "extinçao da voz"... minha voz ficou extinta... as cordas vocais pararam de vibrar como deviam por alguns dias... e aqui os animais estao em via de desaparecimento e nao em extinçao... e o curioso foi gostar de ficar sem falar, de cochichar quando necessario e de delirar imaginando como seria nunca mais falar...
Esse ano de 2010 me foi o mais rico que tenho noticia nos ultimos anos, sem saber direito onde nem por que tenho a impressao de ter feito saltos importantes entre viagens, encontros, sacadas e lutos ... acabei de terminar um livro, nao parece ainda que é natal, os personagens ainda estao dançando ao meu redor, queria que eles tivessem outros destinos... e em 2011 sera tempo de cavar, abrir novos mundos...


1 commentaires:
Olá Clarita, que venha 2011!!!
O lance da passagem dos anos ficou mais fácil de enxergar nesses tempos de facilidades tecnológicas. São vídeos e vídeos de dez, vinte, trinta ou quarenta anos atrás, onde as ondas do tempo chocam o observador, quando fazemos comparações entre imagens dos ídolos em seus momentos de antes e de agora. Tudo de bom aí nessa terra friorenta.
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