vendredi, septembre 24, 2010

Voltamos para São Paulo após duas semanas de um certo nomadismo e de muita peculiaridade...Essa parte da região norte existe agora para mim inscrita de outro jeito, encarnada .... só gostaria de poder ter ido até o Acre...mas a região é do tamanho da europa quase (sem a Rússia claro) e entre Manaus e redondezas, Santarém, Alter do Chão (que é mesmo um lugar incrivel incrivel), Belém e ilha de Colares (antiga terra dos Tupinambás) o nosso tempo se foi... deixando a desejar, o que é bom, não esgotou nada e deixou a vontade de voltar um dia... Achei o clima severo para viver, o calor com a umidade relativa do ar de 90% até. Bebemos muita água e suco e sabendo que não ia durar muito, sentia os poros quase renovando com tanta transpiração...
No plano estrutural tudo é ainda muito precário por onde passamos, tudo muito sujo, uma resquício de uma cultura indígena meio às avessas, de jogar tudo no chão, como se a natureza pudesse ainda dar conta de acolher tudo o tempo todo, esquecendo que casca de mandioca era orgânica, não é como garrafa de água e refrigerante... e também o fato de não existir quase agricultura cria uma relação muito diferente com a terra, de não conhecer seus ciclos, a espera necessária... fora os frutos nativos mesmo ( por exemplo os clássicos cupuaçu e açaí cuja versão paulistana eles abominam) tudo vem de fora, a grande maioria daqui do Ceasa de São Paulo ! , deixando a vida extremamente cara...
A presença indígena se encontra sobretudo nas tantas palavras que eu desconhecia , na comelança e na beberagem ( tacacá, jambu, pirarucu etc) e nos rostos de brasileiros cuja ascendência remete aos milhares de indíos que perderam suas terras...
Não pude deixar de comprar um tipo de artesanato indígena encontrado em Manaus e nas comunidades ribeirinhas do Amazonas : uma maloquinha feita com um casco semelhante ao das cuias, tigelas que encontramos por la, mas dentro um presépio; cordeirinho, josé, jesus e maria... essa angustiante e fascinante fusão de mundos, que resitua, embaralha, noções até da colonização jesuíta, da antropofagia... e boto cor de rosa existe mesmo ! Conto do Sairé em breve, velha festa amazonense de Alter do Chão onde há uma disputa entre o "boto cor de rosa" e o 'tucuxi', o boto cinza...

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