mardi, novembre 15, 2011

Daqui uma semana, a essa altura da noite, ja terei vivido a "sustentaçao da tese" termo francês que se quer menos pesado que o termo "defesa"... Pois bem, na proxima terça feira, às 14h, meu corpo sera exposto a esse rito de passagem que é o fim de um trabalho e a apresentaçao e avaliaçao dele diante de um jury de sete pessoas e que implica entre outros, na obtençao de um titulo... o tal titulo de doutor... Das minhas quase 500 paginas, extrai com dificuldade, pontos principais condensados em 25 minutos de fala inicial, segundo dizem, apos, duas horas de questoes e conversas se seguirao, e depois, finalmente, é de bom tom oferecer um cocktail a todos os presentes... Nao vou apresentar power point ou suportes do tipo, nao os suporto e no meu caso, nao me daria nenhum suporte, conto sentar e falar a partir dos meus papéis, assim como entregar um glossario e resumo aos presentes, impressos em papéis coloridos, é esse o plano... Nao estou conseguindo ler, preparar, fico me deixando ir em divagaçoes do tipo, sera que escolhi o bom vestido ? Compro taças de verdade pra evitar o plastico ? Faço um bolo de cenoura ou uvas recheadas em vez de brigadeiro?
Dificil imaginar o que sentirei daqui 7 dias, se toneladas de alivio escorregarao ou outro sentimento... O pc que aguentou 6 meses de jornadas intensas, rendeu sua alma... so foi o tempo de escrever o texto da apresentaçao oral... o outono, apos um fim de semana ensolarado, começa a nos lembrar que o inverno nao esta longe, dias curtos e dias de 5, 6°. Da La Borde, umas quinze pessoas vao pra Paris assistir, me assistir, nos dois sentidos do termo... De um lado é bom ter pessoas conhecidas, de outro da um certo medo de tantos testemunhas... Em todo caso, o ano chega ao fim quase e ele foi marcado inteiramente por essa experiência de escrita e por essa expectativa... apos varios sustos burocraticos, esperas, medo de nao conseguir escrever, nao conseguir terminar, fase de escolher a banca, entregar a tese e preparar o dia, o dia chega em breve. Que seja doce...

mardi, octobre 04, 2011



Tantas coisas se passaram desde a ultima passada aqui... e setembro passou vertiginosamente... entre a correria do fim da escrita, a chegada das impressões, a entrega dos exemplares aos membros do jury, encontros, viagens... Budapeste, Hungria, hungaro e seus tantos k, o Danubio, paisagem art déco, pos comunista, velho mundo, tanta historicidade... povos magiares que nem sabia existir até ver em toda parte magyar food, magyar isso e aquilo e descobrir que os magiares são os principais fundadores da Hungria em 900 d.c... Em 1500 e pouco os turcos, os otomanos, dominaram Buda e Peste as então duas cidades ligadas pelas atuais pontes sobre o grande Danubio... e são graças aos turcos que as fontes termais foram descobertas e os famosos banhos, os furdok, viraram costume nacional... um belo e agradavel costume. Passar um dia inteiro numa agua de 37°, entrar numa sauna e cair literalmente num balde gigante de agua fria era o que de fato eu precisava apos um verão de trabalho intenso e de tempo meia boca salvo pelas duas ultimas semanas de sol que retardaram a chegada do outono.
Tive a impressão de morar em Budapest nos cinco dias que la fiquei, talvez porque tivéssemos de fato um apartamento residencial, com belo assoalho e gigantes janelas; e como o tempo de viagem é sempre outro tempo, cinco dias pareceram meses e agora, duas semanas depois, ja parece que faz tempo que por la passei... foi um tempo de muita andança, de compassar o coração, de respirar, de ouvir a famosa lingua hungara sem poder captar absolutamente uma palavra e de delirar um entendimento, ouvir uma radio de musica classica, a mesma durante os cinco dias, divagar e sobretudo ouvir a musica da lingua, sentir a presença do outro absoluto...



samedi, septembre 10, 2011

Pronto,

a tese ta pronta, consegui colocar a numeração a partir do indice pra no final dar 482 paginas, pequeno capricho mesmo se serão 488 folhas de papéis... Um veritavel parto... ainda estou me acostumando com a idéia, acho que enquanto as impressões não chegarem e e ela estiver de fato encarnada pra além do pdf, vai ser assim, essa impressão esquisita, esse medo obsessivo de encontrar virgulas a mais ou a menos... o não esgotamento do dizer inscrito no esgotamento do corpo... a consolação de que é bom não esgotar, deixar em devir, continuarei pensando coisas que não estarão escritas... por enquanto não penso no depois nem no que isso pode abrir de porta etc, ainda estou sob efeito dos ultimos dez dias que foram de noites curtas, angustia, ansiedade e essas coisas que nunca sabemos direito de onde vem, pra quê, mas que insistem e ficam dando sinais, piscando piscando... a semana que vem ainda sera marcada pela espera, o envio aos examinadores, até que no dia 20 proximo parto para Budapeste mergulhar numa outra paisagem e respirar apos esse semestre de labor intenso... uma boa perspectiva antes da defesa marcada pra novembro... que seja doce.

mercredi, juillet 13, 2011


TEMPOS

falando de tempos, vai um extrato do Peter que fala bem disso e dos não apaziguamentos...



“Num dos mundos sonhados por Einstein há dois tempos: o mecânico, metálico e rígido como um pêndulo, e o corpóreo, que ondula como um peixe. O primeiro é inflexível, o segundo se decide à maneira que se move. Para muita gente, o tempo mecânico não existe. Ignoram os relógios, comem quando têm fome, fazem amor a qualquer hora do dia, sabem que o tempo avança aos solavancos, que anda com dificuldade, que carrega um grande fardo, mas que voa quando estão felizes. O desespero advém quando os dois tempos coincidem, ao invés de seguirem cada um seu curso.


Num outro mundo causa e efeito são erráticas. Ora o primeiro precede o segundo, ora o inverso. Ou passado e presente se encavalam. O crime não necessariamente precede o castigo, este poderia ser preventivo, é indecidível. Os cientistas se desesperam, não há previsibilidade, tudo é irracional, ou eles o são. Os artistas, por sua vez, são felizes. Inebriam-se com os acasos imprevistos, inexplicáveis, retroativos. A maioria vive o instante, já que é difícil prever um ato presente no futuro. Cada ato é uma ilha no tempo, a ser julgado, por si mesmo. Os empregados respondem a cada insulto dos patrões, cada beijo é sem passado nem futuro.


Num outro mundo não há futuro, o tempo é uma linha que se interrompe no presente, tanto na realidade como no espírito. Aí ninguém pode imaginar o futuro, os sentidos são incapazes de conceber o que poderia existir além da extremidade visível do espectro solar. Cada separação entre amigos é uma morte, cada solidão é definitiva, cada riso é o último. As pessoas se penruam sobre o presente como se estivessem suspensas sobre uma falésia acima do abismo, e enxergam cada estado que vivem como sendo o último.


Num outro mundo, enquanto um homem toca violino e pensa na esposa, um outro homem toca violino e olha a rua, um terceiro toca e... Um número infinito de homens encontram-se num mesmo quarto tocando um número infinito de melodias. Essa hora em que tocam não é uma hora única, mas uma multidão de horas. Pois o tempo é semelhante à luz que se enviam dois espelhos. O tempo ecoa a si mesmo, engendrando um número infinito de imagens, de melodias, de pensamentos. Enquanto pensa, o primeiro homem sente a presença dos outros e de suas músicas. Qual delas é sua, seu futuro?


Num outro mundo um homem hesita se vai a Freiburg encontrar uma certa mulher, charmosa porém rude. Decide ficar em Berna, onde conhece outra mulher com quem faz amor muito lentamente, durante meses. Casam-se, envelhecem, são felizes. Num segundo mundo ele decide sim rever a mulher de Freiburg, com quem faz amor fogosamente, com quem se casa e briga amiúde. Ela sempre se queixa, atiram-se objetos, ameaçam abandonar-se, e novamente fazem amor atormentadamente. Num terceiro mundo ele resolve rever a mulher de Freiburg, tomam chá, convertsam, ele volta a Berna, sente um vazio. Mas tudo isso acontece ao mesmo tempo. Nesse mundo, o tempo tem três dimensões. Assim como um objeto ode mover-se em três direções perpendiculares, a horizontal, a vertical e a longitudinal, um objeto pode pertencer ao três futuros perpendiculares. Cada futuro se move numa direção diferente. A cada momento decisivo, o mundo se trifurca, e cada mundo contém as memsas pessoas, mas com destinos diferentes. O tempo contém uma infinidade de mundos.”

(o tempo não reconciliado - peter pál pelbart - editora perspectiva - 1998)

Voilà, hoje é dia 13 do rock, um dia que sempre gosto, um dia depois do meu aniversario, oficialmente primeiro dia do ano pra mim... Chego ao fim dos vinta e pouco... 29, a trintena esta convocando... mais do que nunca aquela sensação de que o futuro ja chegou mesmo... além disso, hoje é meu ultimo dia de "férias", amanhã, apos esses três meses consagrados à escrita da tese, amanhã é hora de voltar pra outra labuta... sensação de volta às aulas em pleno momento que aqui o mundo para porque são férias generalizadas de verão...
A tese ? A bolsa ja estorou faz tempo... mas cordar o cortão umbilical é demorado, acho que so na hora da impressão mesmo (fim de agosto), até la vai vir ainda a fase das releituras, obsessões, mudanças, duvidas, incertezas, julgamentos severos... não muito espero... apos todos os sufocos administrativos que de tão absurdos e chatos nem vale a pena contar, esta tudo certo, jury aprovado, e no fim de novembro a esperada defesa... até la ainda vou estar tomada por isso de certa forma... Ultrapassei minhas 470 paginas sem os anexos... apos elas, o que dizer aqui... o tempo ainda parece meio em suspensão, demandando ja luto, impressão que nunca mais terei tanto tempo (que nem foi tanto assim) disponivel para uma so coisa, uma coisa escolhida, uma verdadeira decisão... mas os tempos sempre voltam do jeito deles, na velocidade deles... feliz ano novo para mim.

mercredi, juin 01, 2011

Travessia

Hoje lembrei daquela frase " nada pode ser tão ruim que não possa ser piorado" e me disse que o contrario também deve valer, tanto "nada pode ser tão ruim que não possa ser melhorado" ou o "nada pode ser tão bom que não possa ser ainda melhor" ? Ai ja não sei mais... de fato pensei somente na primeira opção delas... Dias duros por aqui, apos travessia do oceano nessa efêmera ida a São Paulo por duas semanas para viver o Brasil primeiro numa aventura acadêmica no centro-oeste paulista, e depois numa semana paulistana de café, pão de queijo e reencontros... Faz somente dois dias que pûs os pés novamente em solo francês e tenho uma infinidade de burocracias, desencontros e coisas que dão vontade de jogar tudo pro alto pra resolver... ou esse mês de junho vai ser o mais longo da minha vida ou o mais rapido, em todo caso, tenho até o final dele pra concluir um feito e tento achar forças para tal apesar do tanto de coisinhas e pepinos que foram aparecendo... espero que daqui um mês, um mês e meio poderei rir e dissecar todas elas ! Ai de existir vida !

samedi, avril 16, 2011

Primavera la fora, jardim florido, tempo de somente contempla-lo do alto da janela do cômodo em que tenho vivido maior parte dos meu dias diante do computador... ontem foi meu ultimo dia de trabalho em La borde até julho... foi um excelente ultimo dia, La borde em todo esplendor, entre conversas coletivas de um novo gato chamado veludo, ao novo livro traduzido do alemão "patosofia"... Agora é pra valer, três meses de concentração e escrita, com toda solidão, angustia e prazer que isso comporta... o que são três meses numa vida, quantas vezes numa vida paramos tudo durante um tal tempo para se consagrar a uma so atividade e assumi-la diante de toda nossa rede ? Sei que é um tempo unico e apesar do medo e hesitação, estou radiante de tê-lo diante de mim. Que ele renda muito !

dimanche, mars 27, 2011

Brigitte Fontaine - Comme à la radio 1969

Comme À La Radio

Ce sera tout à fait
Comme à la radio

Ce ne sera rien
Rien que de la musique

Ce ne sera rien
Rien que des mots des mots des mots

Comme à la radio
Ça ne dérangera pas
Ça n'empêchera pas de jouer aux cartes
Ça n'empêchera pas de dormir sur l'autoroute
Ça n'empêchera pas de parler d'argent

N'ayez pas peur
Ce sera tout à fait
Comme à la radio

Ce ne sera rien
Juste pour faire du bruit

Le silence est atroce
Quelque chose est atroce aussi

Entre les deux c'est la radio
Tout juste un peu de bruit
Pour combler le silence
Tout juste un peu de bruit

N'ayez pas peur
Ce sera tout à fait
Comme à la radio

A cette minute, des milliers de chats se feront écraser sur les routes
A cette minute, un médecin alcoolique jurera au dessus du corps d'une jeune fille et il dira "elle ne va pas me claquer entre les doigts la garce"
A cette minute, cinq vieilles dans un jardin public entameront la question de savoir s'il est moins vingt ou moins cinq
Acette minute des milliers et des milliers de gens penseront que la vie est horrible et ils pleureront
Acette minute, deux policiers entreront dans une ambulance et ils jetteront dans la rivière un jeune homme blessé à la tête
A cette minute un ... français sera bien content d'avoir trouvé du travail
http://www.free-lyrics.org/Brigitte-Fontaine/44545-Comme-À-La-Radio.html

Il fait froid dans le monde
Ça commence à se savoir

Et il y a des incendies qui s'allument dans certains endroits parce qu'il fait trop froid
Traducteur, traduisez

Mais n'ayez pas peur
On sait ce que c'est que la radio

Il ne peut rien s'y passer
Rien ne peut avoir d'importance
Ce n'est rien
Ce n'était rien

Juste pour faire du bruit
Juste de la musique
Juste des mots des mots Des mots des mots

Tout juste un peu de bruit
Tout juste un peu de bruit
Comme à la radio

Send "Comme À La Radio" Ringtone to your Cell

mercredi, février 23, 2011

E esse 2011 foi avançando, se entranhando a galopes e eu nunca estive tanto tempo em casa diante do computador a escrever e todavia, nao mais escrevi aqui... prioridades... em algum momento elas se impõe, mesmo se sempre queremos fazer sempre tudo e ao mesmo tempo... Comecei a trabalhar meio periodo em La Borde desde janeiro, uma semana dois dias, outra três ; a ficar cinco dias seguidos às vezes em casa em gestação da bendita tese que vai ter que sair... Virou um fato publico no vilage labordiano... Agora os pacientes, colegas, ficam querendo saber em que ponto estou nela... Ao lado disso, se o ano terminou e começou com algumas pessoas que conheci morrendo, obrigando-me a resituar a minha vida e a vida daqueles que amo, começou também com uma potência germinativa importante, como as tulipinhas que apos ficarem dormindo o inverno todo, ja estao querendo antecipar a primavera colocando seus corpinhos de fora... E o Roman cada vez mais arteiro, como a minha irmã que se casou; novas vidas possiveis. Apos uma semana com ela aqui, um tipo de retorno e reatualização ao presente e passado, ao familiar, separações são sempre dilacerantes, a casa é estranhamente silenciosa de novo, mas convida ao trabalho de escrita... Fevereiro, mês verde claro, sempre me vieram cores pros meses, alguns mais dificeis a precisar, mas fevereiro sempre foi verde... março é um amarelo mostarda, aquele que nunca se usa no lapis de cor, ja falei isso antes... Sigo nesse ritmo até meados de abril, quando ficarei até julho sem trabalhar na clinica para somente escrever... Pra quê tudo isso ? Não sei muito, embora me pergunte cada dia... mas como muitas coisas na vida, fazemos porque sentimos que nao da pra fazer o contrario... e porque preciso criar algo, preciso pensar certos aspectos do Brasil porque estou longe, no fundo nem se trata de saber, mas do que o processo coloca em ato e disso tem gostado... e como se é sabido, o caminho se faz caminhando...

vendredi, décembre 24, 2010

Todo natal é dia de domingo
Esse é o inverno mais inverno que ja conheci. E também o inverno mais branco desde o começo do mês... um classico natalino dos filmes vistos nos tropicos... estranho que mesmo nascendo e vivendo natal no verao, parece que é mais natal no frio... compramos sem reclamar ou simplesmente nos vendem essa imagem desde sempre... lembro de pessoas pegando arvores secas e colocando algodao pra lembrar a neve, quer dizer, nem era lembrar, mais evocar, neve elas nunca nem tinham visto e talvez nem nunca veriam, ainda assim... mais cedo, do alto na janela em Asse, aqui na Bélgica, vendo o sufoco dos carros nas ruas para poder atravessar com a neve solida e robusta que se formou por aqui, lembrei dessa imagem formada décadas atras... ja começo a contar em décadas e sinto que em breve começo uma quinta vida... esse é o sexto natal que passo longe de "casa", se é que isso ainda quer dizer alguma coisa... estou também longe da casa-averdon, do roman-gato e desses tantos mundos que vamos montando e desmanchando com o avançar dos dias...
Em Paris na segunda tivemos um tempo "Peter Pan, quem és ?" Vimos uma instalaçao de um amigo francês de origem grega, um videozinho caseiro, que a mae dele fez quando ele, a irma e mais dois irmaos cabeludoes eram crianças de cabelos longos e que acharam um tesouro de verdade, um saco de moedas antigas... o filminho é isso, uma imagem idilica ( tentando localizar, tocar o inconsciente no infantil em nos etc), um gato passa no meio das crianças, elas riem... ficamos um tempao so vendo isso, absorvidos por aquele tempo peter pan... nisso uma hora eu atravesso a sala, o joris se move e vemos aparecer umas coisas, quando nos colocavamos diante do projetor, aparecia mascaras, rostos feios, fantasmas por tras daquela imagem... que tentariam ilustrar os medos das crianças, o curioso é que o medo so aparecia quando projetavamos cada um, a propria sombra... Ficamos um tempao la e percebemos que varias pessoas saiam sem ver as sombras, so viam o filme, nao ousavam parar diante e iam embora sem ter a experiência completa (?) da coisa... Dia denso, que terminou com uma peça adaptaçao da Divina comédia de Dante com escritos de Kafka... a coisa do inferno, do purgatorio e do paraiso... foi um dia em que, apos dias de garganta sensivel, perdi a voz de vez... Em francês eles chamam ter uma "extinçao da voz"... minha voz ficou extinta... as cordas vocais pararam de vibrar como deviam por alguns dias... e aqui os animais estao em via de desaparecimento e nao em extinçao... e o curioso foi gostar de ficar sem falar, de cochichar quando necessario e de delirar imaginando como seria nunca mais falar...
Esse ano de 2010 me foi o mais rico que tenho noticia nos ultimos anos, sem saber direito onde nem por que tenho a impressao de ter feito saltos importantes entre viagens, encontros, sacadas e lutos ... acabei de terminar um livro, nao parece ainda que é natal, os personagens ainda estao dançando ao meu redor, queria que eles tivessem outros destinos... e em 2011 sera tempo de cavar, abrir novos mundos...

lundi, décembre 13, 2010

Quantas coisas aconteceram nesse pedacinho do globo desde que o frio violento chegou, desde que a viagem pro brasil e pra amazônia foi ficando mais que longinqua, desde que o Roman foi atacado por uma felina, que os dias foram ficando curtos, a tassia na alemanha parecendo estar quase mais longe que quando em sao paulo... que eu me organizo pra trabalhar dois dias e meio por semana pra escrever a tese, que as noites ficaram mais longas e o corpo pede mais chocolate, que a década ta quase mudando e que ja posso contar coisas em décadas, que os meus pais comemoram "bodas de erva" nos seus 29 anos de casamento... e eu, aos meus 28, de idade, também estou ao ponto de chegar nas "bodas de flores e frutas" e sem ter noçao alguma da epistemologia dessas denominaçoes encontradas friamente e em dois segundos na internet, o que nao é nada grave... mas antes, quem devia ser os guardioes desse tipo de informaçao, uma tia Leonice imaginaria, em alguma cidade do interior de qualquer lugar ? E fui 4 anos depois, rever o oftalmologista, pra dirigir a noite nao tenho visto as placas tao bem explico... ele ajusta suas maquinas, ajusta levemente o grau, me diz que minha miopia é pequena e nada grave quando pergunto se é ruim o fato de eu so usar os oculos pra dirigir, "nao muda nada na verdade ele hesita em falar de estatisticas , mas recua...sou uma das ultimas pacientes que ele vera, logo depois é a aposentadoria que o espera... nao falou do assunto, homem taciturno, seco, mas gostei das maquinas de fuçar o olho e das copias de cartazes de exposiçao alemas coladas às paredes pra tirar a esterilidade do resto... na verdade cheguei até ele agora e quatro anos atras por ser o unico por quem era preciso esperar somente três meses pra se ter uma consulta... os tagarelas humanos sao cotadissimos e a espera às vezes ultrapassa os 6 meses... alias, ele nao conseguiu encontrar sucessor, o médico que dividia a clinica com ele também o segue na aventura da aposentadoria... o que acontece, os médicos nao querem mais virar especialistas dos olhos... ah os olhos... e nesse fim de ano fim de década "vejo" o quanto sou, estou, cada vez mais atraida pelas paisagens do sensivel, do invisivel, do nao-palpavel, do que escapa, do que hesita, desse inconsciente que como com os surrealistas décadas mais cedo, me deixa cada vez mais fascinada pela psicanalise (apos minha fase puramente spinoziana-deleuziana)... E vai começar a nevar de novo, e vai fazer 6 anos desde o meu ultimo natal quente em terras brasileiras...

jeudi, novembre 25, 2010

Onda de frio vinda da Scandinavia... o inverno chegando cedo, nem é dezembro e a neve ja deixou bonitamente branca a paisagem e perigosa as estradas, quer dizer, o trafego automobilistico... entrando no carro você percebe que esta quase no vermelho... numa rotatoria alguém te corta, aqueles riscos desnecessarios como todos os acidentes... você enche o tanque... decide passar, embora sem nenhuma vontade, no hipermercado... chips, bananas, biscoitos, pizza de chorizo, chocolate e iogurte... parece compra de solteiro... ou de sem filhos, ou de viajantes, ou de adolescente, ou de trabalhador cansado ou... você tenta fazer tudo rapido, "so o necessario"... na hora de pagar, nao acha sua carteira... ah merda, deve ter ficado no banco do carro na hora de pagar a gasolina... deixa as compras e vai até o estacionamento, lembra de como teve que estacionar longe, voltou a nevar, mas ta felizmente chovendo, a neve nao vai grudar... volta pro caixa, um certo medo das compras terem sido levadas por um funcionario de patins super eficaz que com tecnologias sofisticadas teria assinalado a outro colega eficaz, "compra abandonada à vista"... as compras continuavam la... você paga, entrega seu cartao de fidelidade, sabendo da fidelidade ao capitalismo, do rastreamento das suas compras que entram nas estatisticas "deles", e você nem é paranoico, nem precisa... você coloca um folk alto no carro e vive esses momentos que se vive sem dividir com ninguém, em casa o gato dorme no quentinho, mas espera você pra sair pro frio, sair pro mundo... aberturas... você liga o aquecedor, tenta equilibrar os cômodos... pensa no fuso horario e esquece...